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5 livros sobre Psicologia Clínica que você não pode deixar de ler

O termo Psicologia Clínica foi utilizado pela primeira vez em 1986 para se referir aos procedimentos utilizados na avaliação de crianças que poderiam apresentar deficiências físicas intelectuais (Teixeira, 1997).

Recentemente, no Brasil, foi realizado o CensoPsi (Sandall et al., 2022) cuja coleta foi realizada entre os meses de outubro de 2021 e março de 2022. Segundo o levantamento, o Conselho Federal de Psicologia registrou 428.791 psicólogos inscritos nos seus 23 conselhos regionais, sendo que 85% estão inseridos no mercado e atuando no campo da Psicologia.

No que se refere à área de atuação, entre os psicólogos ativos profissionalmente, 73% encontram-se na Psicologia Clínica (Bastos et al., 2022).

A Psicologia Clínica é, sem dúvidas, a maior área de especialidade dentro da Psicologia e diz respeito à 
integração de conhecimentos teóricos e métodos psicoterápicos empregados para promover a autonomia, a qualidade de vida e a saúde integral
 (Conselho Federal de Psicologia [CFP], 2022).

Especificamente, ela envolve pesquisa, avaliação, diagnóstico, prevenção e tratamento de transtornos mentais e problemas psicológicos (American Psychological Association [APA], 2015). Segundo a APA (2022), entre as questões comportamentais e de saúde mental abordadas que são enfrentadas por indivíduos, casais, famílias e grupos estão:

  • Problemas de ajustamento e reações de estresse traumático;
  • Problemas emocionais e psicológicos, incluindo transtorno mental grave e situações de crise;
  • Problemas e déficits interpessoais ou sociais;
  • Problemas comportamentais, incluindo uso problemático de substâncias;
  • Condições patológicas cognitivas e neurológicas.

Desse modo, compreende-se o quanto se trata de uma especialidade abrangente que necessita de uma ampliação e integração da Psicologia com diversas disciplinas, como, por exemplo, a sociologia, antropologia, história e medicina.

O CFP estabelece uma série de conhecimentos e habilidades necessárias ao psicólogo clínico. Entre eles, estão:

  • Usar métodos psicológicos para acolhimento, orientação, aconselhamento e psicoterapia;
  • Prestar atendimentos psicológicos a indivíduos, casais, famílias, grupos e instituições, em contextos variados de settings psicoterapêuticos e a todas as faixas etárias, com finalidades de promoção, prevenção e tratamento de saúde mental;
  • Oferecer diagnósticos, prognósticos e tratamentos psicológicos;
  • Propor estratégias psicoterápicas para a redução e superação de problemas psicológicos;
  • Desenvolver atividades relacionadas ao desenvolvimento humano, a relações sociais, a transtornos globais do desenvolvimento, de humor, de personalidade, de aprendizagem e outras psicopatologias;
  • Participar de programas de pesquisa, treinamento e desenvolvimento de políticas de saúde mental.

Diante da complexidade e dos desafios que envolve o exercício profissional da Psicologia Clínica, a seguir, você confere uma relação de livros que poderá auxiliar na sua formação.

1. Psicodiagnóstico-V (2000)

Esta obra
 é considerada um clássico da Psicologia Brasileira. Na quinta edição do livro, Cunha (2007) reuniu uma série de textos essenciais para quem necessita iniciar ou se aprofundar no campo de psicodiagnóstico.

Especificamente, o leitor encontrará capítulos acerca dos fundamentos psicodiagnóstico, estratégias de avaliação, orientações para realização de entrevistas e os tipos mais adequados de acordo com o contexto e a demanda, uso de testes psicológicos, técnicas tradicionais e inovadoras que podem ser utilizadas, manejo clínico, entre outros.

Por ser uma obra rica e completa, ela pode contribuir tanto para estudantes de graduação e pós-graduação quanto para os profissionais da área clínica.

2. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais (2019)

A terceira edição do 
livro de Dalgalarrondo (2019)
, além de trazer os aspectos gerais da psicopatologia, sobre o processo avaliativo do paciente e de suas funções psíquicas alteradas e informações relevantes acerca das síndromes psicopatológicas revistas e atualizadas de acordo com o DSM-5 e a CID-11, inclui novidades relevantes par são os psicólogos clínicos.

Entre as novidades estão:

  1. Hotsite com material exclusivo, incluindo questões para revisão, glossário de denominações populares relacionadas a comportamentos, estados e transtornos mentais, substâncias psicoativas e psicopatologia em geral, breve atlas de imagens neuroanatômicas e instrumentos, escalas e modelos de histórias clínicas;
  2. Um novo capítulo sobre comunicação não verbal. Os conteúdos contidos no novo capítulo revelam-se importantes em decorrência da avalição do tom de voz, face e olhar, roupas e postura do paciente permitir a identificação do perfil predominante de sintomas do paciente como para uma primeira formulação da hipótese diagnóstica (Dalgalarrondo, 2019).

3. Instrumentos de avaliação em saúde mental (2016)

Realizar uma avaliação psicológica minuciosa aumenta a probabilidade de maior eficácia do tratamento. Para isso, o uso de instrumentos podem ser um recurso fundamental utilizado pelos psicólogos clínicas.

Gorenstein et al. (2016) organizaram um 
livro
 que é composto por um agrupamento cuidadoso dos principais instrumentos de avaliação adaptados especificamente para contexto sociocultural brasileiro e validados para língua portuguesa.

Além de a produção ser constituída de conteúdos acerca dos fundamentos de mensuração em saúde mental, entrevistas diagnósticas e instrumentos de triagem, o livro aborda instrumentos específicos para avaliar quadros depressivos, de mania, de ansiedade, sintomas psicóticos, uso de álcool e outras drogas, comportamento alimentar e impulsividade.

Ademais, o destaque são os capítulos 10 e 11, que abordam a avaliação de crianças e adolescentes e de idosos, respectivamente. Particularidades no processo avaliativo e a descrição de instrumentos específicos para tais públicos são abordados.

4. Psicoterapias: abordagens atuais (2019)

O livro é uma das maiores referências no campo da Psicologia Clínica. Cordioli e Grevet (2019) incluíram 
nesta obra
 conceitos gerais sobre a psicoterapia, os principais modelos e as aplicações relacionadas ao ciclo vital e no tratamento dos transtornos mentais.

É uma produção completa para se ter uma visão geral das psicoterapias e, principalmente, por ter em diversos capítulos de casos clínicos – que promovem uma maior compreensão do leitor, aproximando-o do exercício da prática clínica.

Por exemplo: no capítulo 25, que trata sobre a terapia cognitivo-comportamental no Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), há uma série de exemplos clínicos que ilustram todas as intervenções baseadas em evidências que podem ser utilizadas para pacientes com tal condição, incluindo psicoeducação, reestruturação cognitiva, solução de problemas, autoinstrução, automonitoramento, sistema de recompensas, entre outros.

Além disso, há uma seção específica que aborda o treinamento de pais e intervenções para familiares de pacientes com TDAH.

5. Manual clínico dos transtornos psicológicos: tratamento passo a passo (2023)

Certamente, este é o 
principal livro
 (Barlow, 2023) acerca dos tratamentos psicológicos baseados em evidências. Ele é fundamental para qualquer psicólogo que atue na clínica, seja realizando atendimentos ou produzindo pesquisas.

A produção foi organizada por David H. Barlow, psicólogo americano e professor da Universidade de Boston (EUA), e contém uma revisão minuciosa dos avanços no tratamento de distúrbios psicológicos sob a perspectiva da Prática Baseada em Evidências.

Os protocolos de tratamento para transtornos mentais específicos contidos nos capítulos foram atualizados para refletir os recentes desenvolvimentos das terapias psicológicas. Além disso, três protocolos de tratamento originais estão exclusivamente na sexta edição do livro:

  1. No capítulo 17 há uma descrição de uma intervenção breve com foco para indivíduos que apresentam dor crônica, sendo o distúrbio individual frequentemente encontrado nos serviços de saúde;
  2. O capítulo 11 aborda um tratamento transdiagnóstico para transtornos emocionais com foco nos pensamentos e comportamentos autolesivos dos pacientes;
  3. No capítulo três por meio de um caso clínico, os autores descrevem uma a Terapia Baseada em Processos que envolve uma abordagem além da estática do DSM-V que centraliza o tratamento no diagnóstico e protocolos de tratamento mais padronizados.

Editoria de Psicologia

Editora-chefe

  • Carmem Beatriz Neufeld

Psicóloga. Livre docente em TCC pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP. Pós-Doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutora e Mestra em Psicologia pela PUCRS. Fundadora e Coordenadora do Laboratório de Pesquisa e Intervenção Cognitivo-Comportamental – LaPICC-USP. Professora Associada do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – USP. Presidente da Federação Latino Americana de Psicoterapias Cognitivas e Comportamentais - ALAPCCO (2019-2022). Presidente-fundadora da Associação de Ensino e Supervisão Baseados em Evidências - AESBE (2020-2023). Bolsista Produtividade do CNPq.

Perguntas Frequentes