Assistência de Enfermagem no Pré-natal de Baixo Risco

Segundo o Ministério da Saúde, a assistência pré-natal é essencial para um parto e nascimento saudáveis. Esse acompanhamento permite prevenir e diagnosticar precocemente doenças e complicações, além de orientar a mulher sobre temas importantes da maternidade.
O pré-natal de risco habitual, ou de baixo risco, caracteriza-se pelo acompanhamento da gestante que não apresenta fatores de risco individuais, sociodemográficos ou históricos obstétricos prévios que possam comprometer a evolução da gravidez. Esse acompanhamento pode ser realizado por médicos ou enfermeiros na Atenção Primária à Saúde (APS), que é a porta de entrada das gestantes aos serviços de pré-natal.
Um pré-natal de qualidade reduz a morbimortalidade materna e infantil, garantindo ações resolutivas e acolhedoras para as gestantes. O acesso facilitado à atenção básica é fundamental para oferecer os cuidados adequados durante a gestação e o parto.
A assistência de Enfermagem no pré-natal de baixo risco
A assistência de enfermagem no pré-natal de baixo risco tem ganhado destaque nas políticas de saúde do Brasil, implementadas para reduzir os elevados índices de mortalidade materna e perinatal. O acompanhamento permite monitorar a saúde da gestante, identificando fatores de risco e promovendo a detecção e o tratamento oportuno de patologias pré-existentes, o que melhora os desfechos maternos e perinatais.
Na Atenção Básica, o enfermeiro tem autonomia e respaldo legal, conforme a Lei do Exercício Profissional (Lei nº 7.498/86 e Decreto nº 94.406/87), para realizar consultas de enfermagem, prestar assistência e conduzir consultas de pré-natal. Nessas consultas, são realizados exame físico e avaliação obstétrica, incluindo medição da circunferência abdominal, altura do fundo uterino, ausculta dos batimentos cardíacos fetais e percepção dos movimentos fetais conforme a idade gestacional, além da prescrição de exames laboratoriais e de imagem.
A
Consulta de Enfermagem
, atividade privativa do enfermeiro, identifica problemas de saúde, estabelece prescrições e implementa medidas para promoção, proteção, recuperação e reabilitação da saúde das gestantes no Sistema Único de Saúde (SUS). Além de monitorar a saúde materno-fetal, a consulta possibilita a realização de atividades educativas, fornecendo informações essenciais sobre gestação, trabalho de parto, parto e puerpério.
As consultas seguem um cronograma conforme a idade gestacional:
- Até 28 semanas: consultas mensais;
- De 28 a 36 semanas: consultas quinzenais;
- De 36 a 41 semanas e 6 dias: consultas semanais.
A consulta de enfermagem no pré-natal segue diretrizes do Ministério da Saúde e utiliza instrumentos próprios para anamnese. O registro das consultas é feito no prontuário, na caderneta da gestante e em planilhas digitais, permitindo um monitoramento eficaz e pronto acesso às informações da gestação. As consultas devem ser investigativas, considerando a gestante de forma holística e identificando possíveis disfunções patológicas que possam evoluir de maneira silenciosa.
Nas consultas subsequentes, o enfermeiro acompanha a evolução da gestação por meio de exames de imagem, ausculta cardíaca fetal e exames laboratoriais, garantindo que qualquer alteração seja prontamente identificada e tratada. O cuidado prestado deve ser preventivo e voltado à promoção da saúde, com acolhimento humanizado tanto para a gestante quanto para sua família.
A
escuta ativa
é uma ferramenta fundamental no pré-natal, pois prepara a mulher para o parto e a auxilia a superar seus medos, proporcionando um processo mais tranquilo e seguro. Dessa forma, a assistência da equipe de saúde torna-se essencial para prevenir complicações ao longo da gestação.
O apoio emocional recebido no pré-natal influencia diretamente a vivência do trabalho de parto. Esse acompanhamento representa um espaço privilegiado de escuta, diálogo, corresponsabilização e, quando necessário, intervenções que favorecem um desfecho gestacional positivo.
Entre as recomendações do Ministério da Saúde para a atenção pré-natal, destacam-se:
- Captação precoce das gestantes;
- Busca ativa de faltosas;
- Realização de, no mínimo, seis consultas;
- Garantia de exames complementares;
- Ações educativas;
- Incentivo ao parto normal e redução de cesáreas desnecessárias;
- Vínculo com o local do parto;
- Registro adequado das informações no cartão da gestante.
Por fim, o Ministério da Saúde orienta que o acompanhamento pré-natal de risco habitual seja conduzido exclusivamente pela equipe da APS. Para isso, a gestante deve estar vinculada à equipe da área de abrangência de sua residência. O pré-natal é uma responsabilidade compartilhada por todos os membros da equipe, sendo as consultas realizadas por médicos e enfermeiros.