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Psicologia em 2025: abordagens e temas relevantes

A Psicologia vem evoluindo ao longo do tempo, tanto nas abordagens psicoterapêuticas quanto no avanço em pesquisas e atualizações nas práticas em saúde. As mudanças que ocorrem no mundo acabam impactando na prática profissional, por isso a importância dos profissionais se manterem atualizados, aumentando a ética e competência nos serviços prestados.

Com essa finalidade, o presente artigo busca apresentar alguns temas e abordagens relevantes, explorando tendências para a Psicologia no ano de 2025.   

Temas relevantes para 2025
 

Inteligência Artificial (IA)
 

As IAs, como os robôs e chatbots, estão desenvolvendo habilidades cognitivas e sociais cada vez mais sofisticadas. Um exemplo disso é o chatbot GPT, que é capaz de criar poesias, resolver problemas matemáticos, superar testes clássicos de teoria da mente e interagir de forma clara utilizando a linguagem humana. Esses avanços direcionam para várias questões, dentre elas: qual o impacto do uso das IAs na saúde mental? Qual o limite para utilização desses recursos nas atuações em saúde sem perder a ética? Quais as atribuições morais das IAs?   

Diversos estudos têm sido realizados na tentativa de responder, ao menos parcialmente, essas e outras perguntas acerca da temática (e.g. Ladak et al., 2024; Park et al., 2023; Gado et al., 2022; Zhao et al., 2022). Estudo de Ladak et al. (2024), por exemplo, mostrou que as pessoas atribuem algum grau de agência moral às IAs, ou seja, de que elas teriam responsabilidade por suas ações, podendo atribuir julgamento a elas (como bom ou mal, certo ou errado). O estudo também aponta para o desconforto que as pessoas demonstram ao entrar em contato com assuntos relacionados à IA. Em algum grau esse desconforto pode estar associado ao fato de atribuirmos às IAs algumas características que são comuns aos seres humanos; ou por ser um tema ainda pouco conhecido, gerando maior incerteza e podendo ser visto como ameaçador.  

Nesse sentido, outros estudos defendem a importância de incorporar o treinamento em IA nos cursos de ciências humanas e da saúde (e.g. Gado et al., 2022), já que ao evitar entrar em contato com a temática, os profissionais podem acabar por ignorar essa tecnologia e seus impactos nas pessoas. Dominar esse conhecimento pode agregar nas atuações e beneficiar os usuários dos serviços, além de permitir que os profissionais utilizem de uma maneira mais ética e cuidadosa, evitando possíveis erros. Pode auxiliar também a instruir melhor os pacientes sobre as limitações e riscos do uso equivocado dessas ferramentas.  

Saúde Mental no trabalho 

A temática do trabalho tem estado mais em voga desde a publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que fornece diretrizes sobre saúde mental no trabalho. Globalmente, estima-se que 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos todos os anos devido à quadros de depressão ou ansiedade, a um custo de mais de 1 bilhão de dólares por ano em perda de produtividade (OMS, 2022). Além disso, estima-se que cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros são acometidos pelo burnout, sendo o Brasil o segundo país com mais casos no mundo (Silva, 2023).  

Esses são dados que apontam para ambientes de trabalho de risco, pois sabe-se que fatores como a discriminação, desigualdade, cargas de trabalho excessivas, baixo controle sob o trabalho e insegurança laboral representam um risco para a saúde mental. Além disso, o burnout é considerado um fenômeno psicossocial que advém principalmente do excesso de demandas de trabalho e escassez de recursos. Desse modo, torna-se importante para as organizações diminuírem os fatores de risco e aumentarem os recursos de suporte disponíveis, criando melhores e mais humanas condições de trabalho. 

Nesse sentido, a gestão da diversidade também é um aspecto importante a ser considerado. Já que gestões e organizações que consideram a diversidade e buscam criar um ambiente de trabalho a partir da equidade ou seja, que buscam adaptar as regras de modo a garantir que todos tenham acesso às mesmas oportunidades, tendem a reduzir os riscos para saúde mental dos trabalhadores (Yadav & Lenka, 2020).  

Diversidade, inclusão e equidade 

A diversidade, inclusão e equidade são temas relevantes e que merecem destaque não apenas no contexto de trabalho, como também em outros espaços (psicoterapia, serviços de saúde, escolas, etc.). Estudo qualitativo realizado por Gaspodini e Falcke (2018), por exemplo, mostrou que psicólogos clínicos com práticas despatologizantes e abertas à diversidade sexual e de gênero são motivados por: crença em uma natureza psicossocial sobre a diversidade; preocupação com estereótipos e linguagem inadequada; formação clínica; e contato interpessoal com pessoas LGBT. Esses resultados apontam para a importância de uma formação contínua acerca dos diferentes modos de ser e estar no mundo, o que considera diversidade sexual, de gênero e competências multiculturais (Farias et al., 2024).  

Apesar de alguns tópicos de diversidade e inclusão serem mais comumente falados, como gênero, orientação sexual e raça, é importante considerar que há diversas características que podem ser alvo de estereótipos e gerar preconceitos nas prestações de serviço. Dentre elas cita-se a idade (jovens e idosos são mais facilmente alvo de estereótipos, veja em: Coulon et al., 2024); diagnóstico de transtorno mental (Doll et al., 2022) e diferenças socioeconômicas (Durante & Fiske, 2017). 

Abordagens terapêuticas relevantes para 2025
 

Desde seus primórdios, autores da Psicologia têm desenvolvido diferentes teorias acerca do desenvolvimento humano, o que culmina em diversas abordagens psicoterapêuticas, com suas próprias técnicas e compreensões acerca do ser humano. Essas diferenças geraram uma série de desavenças entre autores e profissionais, como foi o caso das discussões provocadas a partir da publicação do famoso estudo de Eysenck (1952). Esse estudo demonstrou que as diferentes abordagens disponíveis na época não eram melhores para os pacientes do que a simples passagem do tempo. Esse foi um resultado importante, que movimentou discussões acerca de componentes comuns a todas as abordagens (e.g. relação terapêutica) e elementos específicos (e.g. técnicas). 

Apesar da rivalidade e de algumas discussões improdutivas entre autores e profissionais continuarem, nas últimas décadas parecem estar ocorrendo alguns movimentos de aproximação e diálogo entre diferentes abordagens, como é o caso da Psicologia Baseada em Evidências (PBE) e das Terapias Baseadas em Processos (TBP). A PBE considera a integração de três pilares: a melhor evidência científica disponível, a expertise clínica e as características do paciente.  

O primeiro pilar direciona para a importância da conexão entre pesquisa e prática clínica, visto que a tomada de decisão do profissional deve considerar quais as melhores evidências disponíveis até o momento para as demandas do paciente, o que exige conhecimento básico sobre pesquisa. Já o pilar de expertise clínica, considera a experiência do profissional, ou seja, sua formação, seus focos de estudo ao longo do tempo, e as técnicas e conhecimentos que têm maior domínio. E por fim, o terceiro pilar considera as preferências do paciente, o que inclui entender sobre a sua realidade, suas características pessoais e seus limites, para que o tratamento possa ser adaptado a ele e não o contrário. Esses três aspectos guiam a tomada de decisão do profissional que atua em PBE. Ou seja, auxilia na direção das escolhas que fará ao longo de todo o tratamento. 

As TBP vão de encontro com uma PBE, pois também consideram quais as melhores evidências disponíveis para determinados processos clínicos. Entretanto, não tem um foco sindrômico e nos transtornos mentais, mas sim em elementos comuns a muitos transtornos, como por exemplo, a esquiva experiencial, os déficits em habilidades de resolução de problemas ou a fusão com pensamentos de conteúdo negativo. As intervenções do terapeuta possuem como foco a mudança desses processos.  

Em ambas as linhas, tanto da PBE quanto das TBP, há um movimento de formação continuada do profissional, para se manter atualizado e adquirindo ferramentas eficazes para intervenções clínicas. Apesar do profissional incorporar diferentes técnicas, é importante que tenha consciência de suas escolhas epistemológicas e filosóficas, isto é: qual a sua visão de mundo? Sob qual linha teórica compreende o funcionamento humano? Qual seu entendimento acerca da aprendizagem humana? Essas são perguntas importantes que devem estar claras para que o profissional não cometa ecletismo teórico e evite confusões ao longo do tratamento.   

Conclusões
 

De forma geral, os conteúdos discutidos no presente artigo ressaltam um mundo dinâmico, que nos direciona cada vez mais para uma prática baseada na atualização contínua. Os temas relevantes e em pauta para 2025 de alguma forma se entrelaçam, já que a IA, as tecnologias, o trabalho e a diversidade estão presentes nos diferentes contextos que ocupamos, seja ao escutar uma pessoa na clínica, seja ao prestarmos consultoria para uma grande empresa. Independente da área de atuação, é importante que nós, profissionais da saúde, nos mantenhamos atualizados sobre os temas que circulam no mundo e sobre as melhores evidências disponíveis na nossa área, para que possamos atuar eticamente.

Desejamos que esse artigo tenha servido como um convite para você seguir buscando atualizações e aumentando o seu conhecimento sobre as abordagens e temas relevantes na atualidade. 

Como citar este artigo: Rossa, I., Lobo, B. O. M., & Neufeld, C. B. (Mar., 2025).
Psicologia em 2025: abordagens e temas relevantes.
Blog do Artmed. 

Autoras

  • Isadora Rossa
     

Psicóloga formada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Mestranda em Psicologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto – USP. 

  • Beatriz de Oliveira Meneguelo Lobo
     

Psicóloga e Mestra em Psicologia (área de concentração Cognição Humana) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Doutoranda em Psicologia em Saúde e Desenvolvimento pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP), com bolsa pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Especialista em Terapias Cognitivo-Comportamentais e com Formação em Terapia do Esquema. Pesquisadora e Supervisora no Laboratório de Pesquisa e Intervenção Cognitivo-Comportamental (LaPICC) da Universidade de São Paulo (USP). Associada à Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC).