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Tentativa de autoextermínio: intervenções da enfermagem

Comportamento suicida é definido como uma atuação de
autoagressão, com pensamentos contínuos de autodestruição, autoextermínio, não importando o nível ou a razão genuína da ação.

Um ato suicida pode manifestar-se através de sinais como vocabulários e gestos relacionados ao suicídio, expressões de intenso sofrimento, pensamentos e discursos sobre a morte e a derrota, tentativas de suicídio e, em casos extremos, culminar no ato propriamente dito. É importante observar que, frequentemente, esses indicativos podem não se apresentar de maneira óbvia, demandando uma sensibilidade e atenção particular para identificá-los.

Normalmente,
o primeiro contato entre a equipe de saúde e o paciente com pensamento suicida acontece através da equipe de enfermagem
, no acolhimento ou consulta de enfermagem.

Nesse atendimento, acontece a entrevista de saúde, que é fundamental para consolidar laços afetivos. Esse contato proporciona uma excelente oportunidade para que os profissionais identifiquem os riscos de suicídio, usando estratégias e prevenção para minimizar o desejo de autoextermínio.

Alguns fatores como doença mental, doença física, doenças crônicas, violência, consumo excessivo de álcool e outras drogas, mudanças repentinas, podem ser grandes aliados para o desencadeamento de comportamento suicida. A situação cultural e socioeconômica, ou a combinação destes fatores, também contribuem para a potencialização do sofrimento psíquico.

A disfuncionalidade familiar pode inferir um risco ainda maior para crianças e adolescentes, pois a convivência familiar é muito importante no desenvolvimento do indivíduo.

Nos dias atuais, situações como empregabilidade e desemprego, condições socioeconômicas, estrutura familiar, padrão de possibilidades de consumo de insumos, como roupas, alimentos e lazer, aceitação no meio de convivência, entre outros, são fatores chamados de "gatilho" para o aparecimento do comportamento suicida.

O profissional de enfermagem, devido à sua presença em variados setores de cuidado, pode frequentemente deparar-se com pacientes que expressam o desejo de tirar a própria vida. Nesse contexto, é imperativo que esses profissionais desenvolvam habilidades essenciais para lidar eficazmente com tais situações delicadas
, oferecendo um suporte adequado e contribuindo para a preservação da vida e bem-estar dos pacientes.

Sendo assim, a relação entre o enfermeiro e o paciente é reconhecida como fundamental no processo de recuperação, pois é através desse vínculo que se torna possível prevenir potenciais complicações diante de tentativas de autoextermínio. Estabelecer uma relação de segurança e confiança mútua torna-se, portanto, imperativo para fomentar um ambiente propício à expressão de sentimentos, facilitando a identificação de sinais de sofrimento e a implementação de intervenções adequadas.

As enfermeiras e enfermeiros são agentes fundamentais para identificar os riscos de suicídio. Por meio de abordagens preventivas, acolhimento empático e escuta qualificada do paciente, orientação aos familiares da vítima, agendamento de consultas com especialistas, implementação de acompanhamento contínuo, incluindo visitas domiciliares e/ou consultas de enfermagem, identificação de fatores de risco para o suicídio, assistência no manejo das medicações, sensibilização da comunidade em relação às questões de saúde mental, análise de históricos prévios de comportamento suicida e promoção da socialização, é possível desenvolver estratégias abrangentes. Isso inclui estudos de caso para entender as possíveis causas do elevado índice de suicídio, o planejamento de grupos de saúde mental para usuários e familiares, bem como a orientação de outras categorias de profissionais de saúde sobre a problemática, visando uma abordagem integral na prevenção e enfrentamento desse grave desafio de saúde pública.

Ao atuar em diversos cenários,
os profissionais de enfermagem têm a capacidade de exercer uma influência positiva na identificação dos pacientes que enfrentam desafios relacionados ao enfrentamento emocional, contribuindo para discernir quando o tratamento deve ser direcionado ao indivíduo isoladamente ou integrado ao contexto social
, envolvendo a família. No âmbito de suas práticas, os enfermeiros podem empregar técnicas valiosas, como a escuta ativa, uma ferramenta crucial de comunicação terapêutica.

Complementadas por outras técnicas, como estabelecimento de foco, reafirmação e validação de informações, esses profissionais podem fortalecer ainda mais a construção de vínculos terapêuticos dentro da equipe multidisciplinar. Essa abordagem integrada é essencial para promover uma assistência abrangente e eficaz no tratamento de questões relacionadas à saúde mental.

Diante disso, alguns fatores são colocados como protetivos frente às situações de autoextermínio, como:

  • formação de vínculos;
  • estabelecimento de contrato terapêutico com o paciente;
  • e organização das rotinas assistenciais da equipe.

Dessa forma, ao oferecer estes quesitos ao pacientes, percebe-se um panorama mais favorável para a recuperação frente a tentativas de autoextermínio, com o desenvolvimento de melhora significativa do sofrimento.

É crucial ressaltar que essas abordagens de cuidado se distinguem da postura de vigilância e punição, que está associada a comportamentos fundamentados na perspectiva asilar. Esta última tende a gerar resultados ineficazes, agravando ainda mais a recuperação do indivíduo e complicando a capacidade de tomar decisões diante da possibilidade de autoextermínio. Em contraste, a abordagem centrada no cuidado busca compreender e apoiar o paciente de maneira holística, promovendo um ambiente propício à cura e à melhoria da qualidade de vida.

Os profissionais de enfermagem devem estar devidamente preparados e capacitados para identificar as características apresentadas por um paciente com potencial suicida.
Isso inclui a observação atenta de sinais como pensamentos e atitudes que denotam desesperança, desespero e desamparo. Ao abordar o paciente, é fundamental adotar uma postura clara e cautelosa, mantendo a serenidade, empatia e evitando atitudes julgadoras. Além disso, é imperativo que o profissional tenha conhecimento da rede de saúde disponível como suporte no cuidado, bem como da rede de apoio do paciente, fortalecendo o vínculo entre esses elementos e mobilizando-os para o cuidado conjunto.

Essa abordagem integral contribui para a promoção de um ambiente seguro e favorável à recuperação do paciente.