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O que é neuropsicologia: definição e áreas de atuação

A neuropsicologia pode ser definida como o estudo das relações entre o cérebro e o comportamento humano, isso porque ela estuda as interrelações entre alterações cognitivas e emocionais, lesões cerebrais e o impacto no comportamento. 

Trata-se de uma área da psicologia que se concentra em entender como as diferentes regiões do cérebro e suas conexões afetam processos mentais como memória, linguagem, atenção, emoções e funções executivas, dessa forma, une conhecimentos da psicologia e das neurociências (Rosazza & Minati, 2011).  

História e Fundamentos Teóricos 

O desenvolvimento da neuropsicologia tem raízes na neurologia clássica e na psicologia experimental. Um dos marcos históricos mais importantes foi o caso de Phineas Gage, ocorrido em 1848. Gage sobreviveu a um grave acidente no qual uma barra de ferro perfurou seu crânio, atingindo o lobo frontal. Este incidente resultou em uma alteração significativa de sua personalidade, lançando luz sobre a importância do lobo frontal nas funções de controle comportamental e emocional (Damásio, 2012). 

O termo "neuropsicologia" foi introduzido apenas em 1913 pelo neurologista William Osler. Em 1932, na França, a Neuropsicologia, como a conhecemos atualmente, emergiu graças ao trabalho pioneiro de três autores de áreas distintas: Aloajouanine, um neurologista, Ombredane, um psicólogo, e Duran, uma linguista (Haase et al., 2012). Ainda é importante ressaltar outros estudiosos que ganharam destaque na história da neuropsicologia, Paul Broca que aprofundou os estudos sobre o papel do hemisfério cerebral esquerdo (HE) para a fala/linguagem (Haase et al., 2012); e Alexander Luria, que estudou relações entre as funções psicológicas e o funcionamento cerebral (Luria, 1966).  

Áreas de Atuação da Neuropsicologia 

A neuropsicologia possui várias subáreas e aplicações práticas, refletindo a diversidade de funções cognitivas e emocionais que o cérebro humano suporta. Vamos explorar algumas dessas áreas e suas respectivas contribuições para o campo da saúde.  

Neuropsicologia Clínica 

A neuropsicologia clínica é o ramo mais conhecido e tradicional, focado na avaliação e reabilitação de pessoas que sofreram algum tipo de lesão cerebral ou doença neurológica. Aqui, neuropsicólogos aplicam baterias de testes para avaliar o nível de comprometimento cognitivo e psicológico, ajudando a traçar diagnósticos e planos de tratamento. Esse procedimento é crucial para condições como AVC, demências, lesões cerebrais traumáticas e doenças neurodegenerativas (Haase et al., 2012; Lezak et al., 2004). Cabe frisar que os objetivos da neuropsicologia clínica permeiam avaliar e explorar as razões do desempenho comprometido, intervir nas adaptações, reabilitações e estimulações, indo além de procedimentos padronizados, mas também buscar interação de fatores com outras áreas como Neurologia, Psiquiatria, Fonoaudiologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, entre outras áreas da saúde (Haase et al., 2012; Wajman, 2021).  

Neuropsicologia Infantojuvenil 

Esta área concentra-se em compreender o desenvolvimento cerebral, as habilidades cognitivas e suas implicações para o comportamento infantil. Neuropsicólogos infantis trabalham frequentemente com transtornos do desenvolvimento, como por exemplo, Deficiência Intelectual, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Dislexia e Transtorno do Espectro Autista (TEA). Eles ajudam na avaliação desses diagnósticos, projetam intervenções terapêuticas que suportam o desenvolvimento cognitivo e a melhora de habilidades, além de fazerem projeções de prognóstico.

Esses profissionais utilizam uma abordagem interdisciplinar, colaborando com pediatras, educadores e terapeutas ocupacionais entre outros profissionais para criar planos de tratamento personalizados que atendam às necessidades individuais de cada criança. Ao fazer isso, eles não apenas avaliam os testes psicológicos e de desempenho, mas também observam o ambiente emocional e social, pois fatores como a dinâmica familiar e as interações sociais podem influenciar o desenvolvimento neurológico e socioemocional (Guimarães & Monteiro, 2019; Moraes, 2023). 

Dessa forma, o neuropsicólogo infantojuvenil tem a função não apenas melhorar o bem-estar imediato das crianças, mas também oferece um suporte contínuo para garantir que essas crianças atinjam seu pleno potencial ao longo da vida. Além disso, o trabalho é realizado tanto com as crianças quanto com suas famílias, fornecendo orientação e recursos que ajudam a enfrentar os desafios associados a esses transtornos, promovendo a inclusão e a adaptação no ambiente escolar e na sociedade (Guimarães & Monteiro, 2019; Moraes, 2023). 

Neuropsicologia Educacional 

A neuropsicologia educacional é um campo especializado que se concentra na intersecção entre a aprendizagem e a saúde cerebral, buscando otimizar as condições de aprendizagem para estudantes de todas as capacidades. Neste âmbito, os neuropsicólogos trabalham em ambientes educacionais com o objetivo de criar abordagens cientificamente fundamentadas que promovem o sucesso acadêmico e o desenvolvimento emocional dos alunos. Para alcançar isso, eles realizam avaliações detalhadas das habilidades cognitivas de cada estudante, identificando pontos fortes e áreas que precisam de intervenção.

Esses profissionais colaboram estreitamente com professores, orientadores e outros especialistas em educação para adaptar currículos e desenvolver técnicas de ensino inovadoras que sejam inclusivas e eficazes para cada demanda que surge. Além de personalizar o processo educacional, a neuropsicologia educacional também se concentra em treinar educadores para compreender melhor o impacto das funções cognitivas e dos estilos de aprendizagem no desempenho escolar (Arceno et al., 2022; Riechi & Romanelli, 1996).  

Neuropsicologia Forense 

A neuropsicologia forense aplica princípios neuropsicológicos para ajudar a resolver questões judiciais, integrando conhecimento especializado da neurociência em contextos legais complexos. Os profissionais desta área realizam avaliações que podem influenciar significativamente o desfecho de casos criminais, decisões de tutela e uma ampla gama de litígios civis. Através de avaliações detalhadas, eles podem determinar a capacidade de um indivíduo para participar de um julgamento de forma competente, avaliar seu estado mental no momento de um delito e fornecer insights sobre sua responsabilidade criminal. Além disso, suas avaliações podem informar decisões relacionadas à possível reabilitação de indivíduos condenados, ajudando o sistema legal a decidir sobre a adequação de programas terapêuticos versus medidas punitivas (Brandão, 2022).  

Conclusão 

A neuropsicologia é uma área fascinante e multifacetada que explora as complexas interações entre o cérebro e o comportamento humano. Ao longo deste texto, discutimos suas definições, fundamentos históricos e diversas áreas de atuação. Cada uma dessas subáreas oferece contribuições valiosas para a compreensão e tratamento de condições neurológicas e cognitivas, demonstrando a importância da neuropsicologia no campo da saúde. 

No entanto, é importante destacar que as possibilidades da neuropsicologia não se esgotam aqui. As áreas mencionadas são apenas alguns exemplos das muitas aplicações desta ciência. A neuropsicologia continua a evoluir, incorporando novas tecnologias e abordagens para melhor compreender e intervir nas funções cerebrais e comportamentais. Portanto, o campo permanece aberto a novas descobertas e inovações, oferecendo um vasto horizonte de oportunidades para profissionais e pesquisadores dedicados a melhorar a qualidade de vida das pessoas. 

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Como citar este artigo: Ferreira, I. M. F., Lobo, B. O. M., & Neufeld, C. B. (Fev., 2025).
O que é Neuropsicologia: Definição e Áreas de Atuação.
Blog do Secad. 

Autoras

  • Isabela Maria Freitas Ferreira
     

Psicóloga pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Neuropsicóloga pelo IPOG. Mestre e Doutora em Psicologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP). Formação em Terapia dos Esquemas (LaPICC-USP). Terapeuta Certificada pela Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Membro do Laboratório de Pesquisa e Intervenção Cognitivo-Comportamental (LaPICC-USP).   

  • Beatriz de Oliveira Meneguelo Lobo
     

Psicóloga e Mestra em Psicologia (área de concentração Cognição Humana) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Doutoranda em Psicologia em Saúde e Desenvolvimento pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP), com bolsa pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Especialista em Terapias Cognitivo-Comportamentais e com Formação em Terapia do Esquema. Pesquisadora e Supervisora no Laboratório de Pesquisa e Intervenção Cognitivo-Comportamental (LaPICC) da Universidade de São Paulo (USP). Associada à Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC).